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Serendipidade

TWIN PEAKS

Eu sou uma fã acérrima de filmes e de séries. Sejam eles de 2016 ou até mesmo de 1960. A partir do momento em que me sinto absorvida pela atmosfera da história que me está a ser contada, pouco me importam os efeitos especiais e as edições de imagem caducas que existiam há cinquenta anos atrás. Para mim, a arte cinematográfica foca-se essencialmente na capacidade de contar uma história que nos provoca uma curiosidade quase obsessiva, um impulso de se querer desvendar as histórias cativantes das personagens e todo o processo criativo que se esconde atrás. 

Há cerca de dois anos conhecia pouco do trabalho de David Lynch. Tinha noção de que o seu conceito era bem fora do comum. Lembro-me de ouvir falar muito sobre um filme seu, o Inland Empire (2006) com o Jeremy Irons e a Laura Dern. Na altura as críticas eram bastante diversificadas, no sentido em que dividiu muitas opiniões. Para uns era uma obra de arte e para outros seria uma obra fruto da insanidade e do absurdo. No entanto, mal eu sabia o quanto eu iria idolatrar o seu trabalho depois de ter visto Twin Peaks, uma série de culto dos anos 90. Depois de me ser introduzido o mundo de Twin Peaks tive oportunidade de ver a sua grande colectânea de filmes, nomeadamente Mulholand Drive, Blue Velvet, Lost Highway, Wild at Heart e entre outros. 

Eu sou uma grande fã de bons mistérios. Além disso, tenho uma curiosidade incompreendida sobre décadas passadas. Adoro o mundo das artes ligado aos anos 50, 60, 70, 80 e 90. Desde sempre. Nunca compreendi este fascínio inato que tenho desde pequena. E ao ver Twin Peaks senti-me transportada para o passado. As roupas, os cenários, os diálogos, a atmosfera... tudo. Até o facto de mostrarem personagens de dezassete anos a fumarem tranquilamente no dinner me mostra o quão a realidade mudou até aos dias de hoje.

A série passa-se na cidade de Twin Peaks, onde a adolescente Laura Palmer é encontrada morta embrulhada em plástico. O Agente Especial do FBI, Dale Cooper, dirige-se até à cidade e começa a caça ao seu assassino juntamente com a polícia local. "Quem matou Laura Palmer?" é a questão essencial e à volta da qual a série gira. Entretanto vários mistérios sobre a vida dupla e obscura de Laura são revelados. Afinal a rainha do baile da escola não era a rapariga inocente que aparentava ser. Enquanto estes mistérios são revelados, a série acompanha a vida dos restantes habitantes em Twin Peaks. Sendo que são todos personagens sui generis, acreditem. 

E eis que me apaixonei. Por tudo. Pela história, pelas personagens, pela banda sonora fantástica. Graças a ela conheci o portofólio musical de Angelo Badalamenti. E porque esta série reune tudo: momentos de mistério, momentos de melancolia e de drama envolventes, momentos de comédia épicos, momentos aleatórios estranhos que criam uma essência única, momentos surrealistas e insanos que imprimem a assinatura de Lynch. E eu adoro este estilo estranho de Lynch.

Este ano, em Maio de 2017 a série voltou com novas histórias sobre as personagens antigas e com personagens novas. "Twin Peaks, The Return" vale muito a pena ver! 

Há ainda o filme sobre a série, "Twin Peaks - Fire Walk With Me" que foi lançado em 1992.

Não consigo explicar o universo criado em Twin Peaks sem as seguintes palavras: O mistério envolvido na escuridão das florestas húmidas e densas, no som uníssono da brisa que toca de forma leve nas folhas das árvores, o nevoeiro que invade o asfalto das estradas vazias. 

Ao ver esta série, sinto-me nostálgica por uma época que nunca vivi. Será possível?

Há um livro escrito por Jennifer Lynch sobre a personagem Laura Palmer. É seu diário secreto onde revela a sua vida dupla oculta. Quero tanto mas tanto comprá-lo.

Recomendo-vos vivamente. Vejam o meu álbum dedicado a Twin Peaks no Pinterest AQUI.

 

PS: O Dale Cooper deve ser a melhor personagem da história da televisão, adoro-o!

 

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